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Impactos no milho em Mineiros/GO indicam quebra de até 40% na safra

Impactos no milho em Mineiros acendem alerta

Os impactos no milho em Mineiros, Goiás preocupam agricultores, lideranças e especialistas do Sudoeste Goiano, que agora enfrentam um dos ciclos mais desafiadores dos últimos anos. A combinação implacável de atraso severo no calendário de semeadura e um longo período de estiagem ameaça derreter as projeções de produtividade no campo. A realidade local reflete a vulnerabilidade do produtor rural diante do clima e expõe os gargalos financeiros que começam a estrangular o caixa das propriedades rurais.

Como o clima alterou o calendário agrícola em Goiás

A raiz dos problemas na atual temporada começou bem antes da falta de água. O excesso de precipitações logo no início de fevereiro travou os trabalhos de colheita da soja na região de Mineiros, travando consequentemente a entrada das máquinas para o plantio da safrinha.

De acordo com Regis Resende Machado, produtor rural em Mineiros e vice-presidente da cooperativa COMIVA, o maquinário só conseguiu avançar sob condições difíceis. Enquanto ele conseguiu encerrar sua semeadura no dia 4 de março, muitos produtores da região estenderam os trabalhos até os dias 22 e 23 de março, empurrando quase metade das áreas para fora da janela agronômica ideal.

Plantas que se desenvolvem fora do período recomendado ficam desprotegidas contra as transições climáticas sazonais. Em Goiás, isso significa que o momento crítico de definição dos componentes de rendimento da lavoura coincidiu exatamente com o bloqueio atmosférico e o início precoce do período seco.

Estiagem prolongada provoca quebra de safra em Goiás

O reflexo direto desse atraso foi o enfrentamento de quase 30 dias consecutivos de seca absoluta bem no meio das fases de polinização e enchimento de grãos. Essa forte oscilação climática consolida uma expressiva quebra de safra em Goiás, penalizando o peso final e a formação das espigas.

“Temos três grandes eixos produtivos em Mineiros: a região da Boa Vista/Urtigão, o eixo de Chapadãozinho/Morro Vermelho e a faixa da BR-40/Perolândia. Em todas elas, a quebra é uma realidade imposta pela irregularidade das chuvas”, detalha Regis Resende Machado.

Mesmo com precipitações isoladas e insuficientes registradas recentemente (variando entre 10 mm e 35 mm dependendo do ponto), o cenário visual das plantações engana quem observa apenas de longe. Embora a folhagem apresente um aspecto visualmente sadio em determinados eixos, a avaliação detalhada revela falhas graves. Ao abrir as espigas no campo, constata-se a incidência de grãos “vagos”, indicando que a falta de água impediu o completo preenchimento da espiga, reduzindo drasticamente o rendimento por hectare.

As projeções iniciais apontam os seguintes reflexos na produtividade local:

  • Áreas fora da janela: Entre 30% e 40% de todo o milho do município foi semeado com atraso e colherá volumes insatisfatórios.
  • Perda consolidada: Estima-se uma redução geral que varia de 20% a 30% no volume colhido na região, com cenários piores em solos arenosos.
  • Casos extremos: Lavouras que enfrentaram o pico da seca sem umidade residual no solo correm o risco de registrar médias de apenas 50 a 60 sacas por hectare.

Incertezas sobre o preço do milho em 2026

Com os armazéns prestes a receber um volume menor, a grande expectativa do setor reside no comportamento do mercado físico. O preço do milho em 2026 opera em patamares que mal cobrem os custos operacionais de produção, oscilando na faixa de R$ 54,00 a R$ 56,00 a saca no balcão de negócios do estado.

Fonte: Rioverderural.com.br

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